segunda-feira, novembro 11, 2013

Condenados

Enquanto esta crise condena, consome o povo
Há os outros, sim os outros, que através dela, consomem
Cada vez mais, a liberdade prende o escravo
A um país, este, que ainda é meu também.

As vozes da revolta não chegam para vencer
Há o silêncio hipócrita que esconde a mentira
Em cada um de nós há vontade de combater 
Mesmo que a verdade nos fira.

Num país onde o mar oferece o horizonte do mundo
Essa linha que não separa este rasgo de imaginação
Lembra-me a infância, quando a moeda era também um escudo
O troco de uma idade sem preocupação.

Hoje, já lá vai o tempo que eu achava ser o meu futuro
Tornou-se em passado as coisas que fiz
Sou agora, parte de um presente que asseguro
E deixo-me ser feliz.

terça-feira, setembro 10, 2013

Sem saber

Que  falta de imaginação é esta,  tanta
 Da inspiração só resulta o ar que expiro
As palavras tornam-se em riscos simbólicos
Sem saber por onde começar, já nem me espanta

Dezoito dias após tudo isto, resta-me olhar
Para isto, que de tudo tem muito pouco
São versos que não consigo, mas insisto
Sem saber se vale a pena continuar

O tempo que perco sem me aperceber
É o mesmo que me falta para desistir
Ficar à espera do meu pensamento, para o ler
Num vazio completo, com vontade de não resistir

 Mas, o sol quando chegar e ainda a noite estiver
Vejo na  madrugada, as horas que o dia tem para me dar
Entre a distância e o desejo de te ver

Existe a poesia  para sentir, o quanto é bom pensar.

quarta-feira, setembro 26, 2012

Politica, joalharia e Demagogia

A Eleições Regionais e o mês de outubro serão cúmplices de uma propaganda política já obsoleta. Os cartazes expostos nas laterais das vias rodoviárias testam, não a crença partidária ou política, mas sim a clarividência na condução. A presença desses retângulos condicionam a liberdade visual como também tentam conduzir o povo a seguir um caminho que não se sabe aonde vai dar. Há acrónimos a mais na definição política dos partidos portugueses, há um défice evidente na credibilidade e viabiliadade das promessas eleitorais…mas imaginação não falta quando a demagogia serve de elo entre o sonho e a realidade. Os pormenores muitas vezes só servem para despertar a atenção e nada mais que isto, mas quando olho para um cartaz que faz alusão ao número que representa as ilhas dos Açores e nele vejo uma aliança entre todas elas, simbolizada numa joalharia que esteticamente fica melhor nos dedos do que pendurada num cordão, lembra-me a abstenção . A matemática ilustrada na palavra “mais” e no “X” da multiplicação não fazem esquecer que quanto mais vezes prometem Menos cumprem!

quarta-feira, julho 25, 2012

Saudade

Neste dia triste só me resta a felicidade… Saber que não é mentira ter-te conhecido E por mais que a noite demore, venha a idade Que o tempo, enquanto nosso não será esquecido Anfitriões do silêncio, imunes ao destino Nas horas devassas, aquela ternura Sempre, a mesma, a tua, como um toque fino A vaguear na mente, somente à tua procura Tenho saudades de ti, de te encontrar nos meus braços Da voz que davas às palavras que não querias falar Do teu cabelo solto parecendo voar como pássaros De ti, saudades de ti, de te amar! Amo-te no silêncio, sem destino, com palavras Triste, feliz… à noite ou sem ela, no início, no fim Amo-te todas as horas. E na saudade quero-te ao pé de mim!

segunda-feira, julho 09, 2012

Desempregologia

Com a crise tão exposta, e a ideia generalizada que está para durar, vale a pena não esquecer que o mundo continua a girar no sentido contrário dos ponteiros do relógio, que o sol nasce e “morre” todos os dias, que o Inverno fez um acordo (não trokiano) com o Verão, que o ar continua a obedecer á rosa dos ventos, enfim apesar de toda esta crise instalada, a Biosfera mantêm-se alheia ao mundo humano. Será que nos estão ensinando algo que nós não conseguimos aprender? Lembro-me de se falar tanto em sexualidade e que esta temática deveria tornar-se numa disciplina, para ser leccionada nas escolas, afim de precaver o futuro sexual dos jovens. A realidade de hoje, faz brotar a temática do desemprego ( associado à omnipresença da crise), não seria má ideia criar mecanismos para que nascesse uma nova disciplina, a desempregologia, (a ciência que viria a estudar o fenómeno do desemprego e assim combatê-lo). Deste modo os jovens ficariam mais cientes do quanto é enganador a expressão - mercado de trabalho-, quando a grande percentagem procura um emprego onde trabalhar não combina.

quarta-feira, junho 06, 2012

Deriva!

O país a que todos chamam de Portugal e do qual DERIVA a minha nacionalidade, tornou-se no maior e talvez melhor recurso retórico que há na literatura. A metáfora acaba por ser uma cacofonia da expressão "mete fora", situação que nos dias de hoje é o que mais se assiste. Uma nação à DERIVA.

quarta-feira, abril 11, 2012

Desprendido


Despeço-me de ti sem qualquer adeus,
Neste instante difícil de interpretar,
Só me resta esperar…lembrar,
Todos os dias… e pedir aos céus…

As estrelas que a noite oferece,
Neste espaço vazio, que a escuridão ocupa,
Dou por mim a falar de ti, como se ela ouvisse…
Buscando momentos que a consciência não culpa,
Enquanto lágrimas correm-me,  e eu ali!
Desprendido, imóvel esperando por ti…
Aqui neste lugar só teu.

A poesia é isso, tem tanto dessas coisas,
Coisas parecidas contigo, coisas...
Palavras que procuram nas rimas,
A tua voz... a chamar-me.


José Furtado